sexta-feira, 21 de junho de 2013

VOCÊ SABE O QUE SIGNIFICA "SEM PARTIDO"?



 Da Primavera Árabe ao Inverno Brasileiro

Espero que as linhas abaixo inspirem um pouco de sabedoria.


A virada da opinião pública se deu no momento em que a mídia convencional percebeu anteontem que podia faturar em cima do Movimento Passe Livre. Com palavras de ordem de apresentadores de programas populares à tarde e uma extensa cobertura telejornalística à noite, o telespectador perplexo começou a achar que o mundo estava acabando.

Fatos isolados tornaram-se "emblemáticos" e teses fascistas ganharam corações e mentes. Neste novo caldo de cultura, as reivindicações iniciais foram dissolvidas. A questão do transporte, a concentração hegemônica e perigosa da mídia nas mãos de poucos grupos, a falência do modelo político atual como agente intermediador das demandas públicas, tudo foi esquecido.

Em 24h o discurso passou a ser contra a corrupção, contra o Executivo e o Legislativo, poupando-se apenas - e por enquanto - o Judiciário, o mais fechado de todos os poderes e não menos corrupto, porque todos são o espelho da nossa sociedade, em que a exploração e o lucro são considerados valores meritórios e de status social. Vale mais quem, na prática, não vale nada.

Mas finalmente vozes de bom senso começam a se levantar e apontar para os riscos da dissolução do sistema, o que seria péssimo. Onde impera a barbárie, reina o vale tudo. Perde-se o juízo. Todos ficam cegos. Relembremos as cenas finais do filme Ensaio sobre a Cegueira (Blind), de Fernando Meirelles, quando todos saqueiam e disputam a tapas e pontapés o pouco do que resta.

Uma metáfora semelhante aO Alienista, de Machado de Assis, quando a "loucura" passa a ser a "razão" e a "razão", ora, foda-se a razão! A cegueira coletiva, alimentada pela elite - que em última instância é quem se beneficia do caos ao impor seu modelo à força - é a pior das armas de protesto coletivo.

Somos um país socialmente desorganizado e profundamente desigual. Portanto, nós do povo, da periferia, dos que lutam honestamente pela ascensão, sem nunca nos esquecermos de onde viemos, não podemos permitir que sejamos transformados em massa de manobra. E é exatamente isso o que está acontecendo.

Vamos dar lugar aos radicais. Deixemos as ruas para eles por enquanto. Desliguemos a TV e façamos um silêncio pacífico e misericordioso. "Eles passarão, nós passarinho."

"Um viva a você que acordou, mas por favor, respeite a quem nunca dormiu! " Adilson Filho

Um comentário:

Patrick Zechim disse...

Salve Marco, uma pena que os compromissos com a tese me furtem de participar mais, mas gostaria de dar um pequeno pitaco.
A minha impressão é que essas passeatas engrossadas pela classe média e adotadas pelo PIG (desde que seja apartidária e subliminarmente contra o governo do PT) se moldam muito bem dentro daquilo que o Baumam chama (e agora é modinha acadêmica) de modernidade líquida ou que outros já chamaram de pós-moderna.
Veja como o PIG tece loas a tudo que se poderia chamar de difuso e fragmentado nessas manifestações: críticas difusas sobre tudo (mas não perguntem a ninguém sobre o que fazer); apartidarismo (não existe direita e esquerda, por isso não pode ter bandeira nas ruas);a incompreensão da Política e a exaltação da "festa emocionante recheada cantos à capela de trechos do hino nacional" (o negócio agora são as redes sociais, o panótico da contemporaneidade) e por aí vai.
É de chocar o conservadorismo do nosso tempo patente na incapacidade de ir além das aparências e se perguntar o porque das coisas serem da maneira como elas são no Brasil. Os meios de comunicação podem ter certeza estão adorando.