quarta-feira, 8 de outubro de 2014

PORQUE MINAS NÃO VOTA EM AÉCIO?

Por mais que tentem tapar o sol com a peneira, uma das grandes questões desta eleição é: porque o estado de Minas Gerais, governado por Aécio e seu sucessor nos últimos doze anos o derrotou nas urnas, no 1.º turno?

O próprio candidato, indagado sobre essa situação saiu-se com a seguinte explicação: que os mineiros farão uma "reflexão profunda" no 2.º turno.

Na linha de seu mentor FHC, quis dizer que quem votou contra ele não fez a devida reflexão. Só faltou dizer que são mal informados como os nordestinos que FHC queria matar afogado, mas não pode porque a água em São Paulo acabou.

Resta o consolo de ver, muito em breve, levas de retirantes paulistas indo buscar oportunidades noutras terras, onde a seca não os castigue e os prive do essencial. Muitos deles irão buscar guarida no Nordeste, que apesar dos sistemáticos insultos, ainda os receberá como irmãos da grande pátria brasileira.

Essa é uma diferença crucial que está expressa nas urnas: o voto com amor versus o voto com ódio.

Mas votando à pergunta do título, do porque  Minas não votar em Aécio, além do voto mais generoso em quem é a favor das causas de justiça e inclusão social, pesa muito o fato de conhecerem o tucano. Já foi dito que se trata de um playboy diletante, que vive numa espécie de jet-set entre o Leblon e Brasília. Baladas, revistas de fofoca, amizades com globais e personalidades do mundo midiático dão o tom de sua vida. Tudo isso combinado com um estudado ar de desdém ou enfado com a atividade política, bem ao gosto dos que dizem odiar a política. Ou seja, Minas e o povo mineiro estão fora do seu itinerário.

Já se tratou também da questão dos serviços públicos em Minas. Concessões aos compadres, indenizações milionários aos parentes, espaços públicos construídos em terras particulares, com a chave no mão do primo, tudo feito ao arrepio da lei. O salários dos professores estaduais está abaixo do permitido em lei. Isso rendeu até uma alcunha ao partido de Aécio, o PSDB - Piores Salários do Brasil. A situação não é diferente na saúde, onde profissionais clamam por melhores condições de salários em sucessivas greves. Na segurança pública, o descaso se repete, com policiais e delegados tendo de mendigar.

Parece que a única política de estado efetiva em Minas é a de ampliação de aeroportos. Porém em cidades próximas umas das outras, sem serventia à população local, de mais do que questionável justificativa. Principalmente os próximos às terras de propriedade da família do candidato, sem qualquer relevância como bem público. Um desperdício absurdo, pago com o dinheiro do contribuinte, que talvez por isso rejeite ainda mais o ex-governador. Não se trata de debate sobre políticas públicas (que normalmente os eleitores do Aécio têm preguiça de discutir), mas da utilização do contado orçamento do estado para benefício de uma meia dúzia de apaniguados. Mas aí entra sua verdadeira tropa de choque em ação: os amigos da imprensa.

Existem diversos movimentos contra a brutal truculência de Aécio no tratamento a imprensa livre. Sim, porque na Globo e nos outros órgãos do PIG, ele se transforma numa afável figura. O movimento "Minas sem censura" vem denunciando há tempos os desmandos de Aécio, cujos aeroportos de Cláudio e Montezuma, dentro de suas propriedades são apenas a ponta do iceberg. Há denúncias de mau uso das verbas públicas em vários setores, inclusive na construção do novo Centro Administrativo do Estado.

É por essas e outras que o mineiro não se deixa enganar...


terça-feira, 7 de outubro de 2014

QUEM NÃO TE CONHEÇA QUE TE COMPRE

Você sabia que o candidato Aécio Neves possui um apartamento de frente ao mar, na Av. Vieira Souto, um dos metros quadrados mais caros do mundo, onde a global Patrícia Poeta recentemente adquiriu uma cobertura pela bagatela de 23 milhões de reais? A bela Poeta arrematou o cafofo de Georges Sadala, que recebeu no RJ concessões do Poupa Tempo (através do consórcio Agiliza Rio) e em Minas do "UAI" - Unidade de Atendimento Integrado, cujo padrinho de casamento foi o próprio Aécio Neves. Há ligações fortes, já comprovadas, de Sadala com Carlinhos Cachoeira.



Qualquer um se coça para perguntar, mas como? Com o salário de Senador? Antes que os maldosos pensem que o dinheiro advém de alguma patranha, vamos aos fatos: o apartamento de 250m² é da sua mãe. Ou seja, herança, coisa de gente bem nascida, que nunca suou para conquistar com seu trabalho os bens que desfruta. Ou, como diz seu padrinho FHC, gente "bem informada". Ademais, é bom frisar, nunca esse blog havia feito um levantamento usando informações da Revista Caras, como na foto acima. Aécio frequenta o seleto (pero no mucho) clube dos chiques e famosos, em fina companhia de Ronaldo e Luciano Huck.

Estamos falando de cifras absurdas, envolvendo a entrega de fatias generosas do serviço público a um compadre - no sentido literal do termo - mas o que incomoda Aécio e seu eleitorado é o Bolsa Família, antes era tratado como "Bolsa Esmola" em editorial do PSDB, mas agora repaginado em programa com o "selo FHC de justiça social". No facebook, tivemos um aecista que num sincericídio demonstra sem rodeios os reais motivos da adesão do PSDB ao programa petista antes tão criticado.


Outros dados e fatos com a chancela FHC de qualidade também impressionam. A taxa de desemprego em seu governo chegou a ser a segunda maior do mundo! Em nenhum ano dos oito de seus dois mandatos ele cumpriu a meta da inflação. A taxa SELIC chegou a 45%. O Brasil devia ao FMI e se sujeitou a exigências do fundo para receber dinheiro, entre elas que o número de anos de escolaridade aumentasse. Como efeito dessa ordem do FMI, foi implantada no ensino público brasileiro a "progressão continuada", que acabou com as reprovações, para artificialmente manter as crianças mais tempo na escola. Ele, que chamou o eleitor de Dilma da região nordeste de "mal informado" por uma coincidência à pobreza, esqueceu-se de dizer que o bem informado eleitor de São Paulo, que votou em Aécio, o ladeou com Russomano, Tiririca e Marcos Feliciano, os mais votados para Deputado Federal em SP.

Penso que essa candidatura tem alguns méritos de "honestidade". O primeiro foi o de tirar aquele inconveniente parente gagá de dentro do armário e trazê-lo para sala. Serra e Alckmin tentaram, sem sucesso, se desvincular da imagem de FHC. Já Aécio, percebeu que seria inevitável, e hoje FHC fala como se tivesse muita gente interessada no que diz. Na entrevista ao UOL, onde chamou os eleitores do PT de mal informados, disse que a compra da reeleição não envolvia nenhum parlamentar do PSDB e que o caso foi arquivado. Oras, era o que faltava o partido precisar comprar seus próprios deputados e só houve o arquivamento porque caiu na mão do engavetador geral da Republica, Geraldo Brindero.

Outro surto de sinceridade veio logo no início da campanha, logo após prometer as já esquecidas medidas impopulares. Lógico que essa declaração não foi ampliada no PIG, mas Aécio conclamava à traição, como um verdadeiro Joaquim Silvério dos Reis: "Tem muito mais gente que já desembarcou e o governo ainda não percebeu. Porque vão sugar mais um pouquinho do governo até o final. E eu digo a eles: 'Façam isso mesmo. Suguem o que puderem e venham para nós'", afirmou o candidato quando perguntado sobre os possíveis aliados de campanha. Ou seja o glamour de quem desfila na Caras aliado a nata da malandragem.

Penso que o mineiro esperto não é o que se muda para o Rio de Janeiro e tenta a todo custo transformar seu sotaque. O mineiro sábio e generoso é aquele que deu seu recado ao Brasil: quem não te conheça que te compre! Além de elegeram Fernando Pimentel, do PT, ainda no primeiro turno com 52% dos votos válidos, Dilma Rousseff venceu a eleição para presidente em Minas, com mais de 43% dos votos válidos! A aguardar quais serão as chorumelas para justificar a derrota em casa...

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

LULA X FHC - O VERDADEIRO DEBATE

O segundo turno já começou. Esqueça essa papagaiada de continuísmo ou renovação. Na verdade, são dois projetos antagônicos que disputam o poder há exatos vinte anos, desde 1994, e estão em seu sexto confronto, cujos representantes máximos poderiam ser os verdadeiros candidatos: Lula, pelo PT e FHC, pelo PSDB.

No caso de FHC, no debate da Globo, ele foi saudado por Aécio Neves por estar na claque - que, conforme o ensaio, tentou puxar um aplauso ao ex-presidente. Dilma perdeu uma preciosa oportunidade de saudá-lo também e lamentar o fato de que quando candidato ele fugia de todos os debates.

Quanto a Lula, bem que tentaram ensaiar um movimento de suposta indisposição com sua sucessora, Dilma. Ele entendeu o recado e passou a fazer campanha como velho militante que é - camisetinha vermelha, microfone na mão e continuando a ser o único político brasileiro que fala a língua do povo.



Já FHC, no afã de participar mais ativamente da comitiva de Aécio, e com cadeira cativa no PIG, contribuiu para o debate que se aproxima. Perguntado sobre o porquê dos votos petistas terem migrado dos setores de classe média das grandes cidades para os grotões do pais, FHC sentenciou: "O PT está fincado nos menos informados, que coincide de ser os mais pobres. Não é porque são pobres que apoiam o PT, é porque são menos informados", afirmou FHC ao UOL.

Por "coincidência", alguns eleitores que se alimentam do preconceito de FHC também deram demonstrações de serem melhor informados que os pobres - apenas por coincidência - que votam no PT.


Além do linguajar erudito, esses eleitores demonstram alto grau de informação, ou melhor, absoluto alinhamento com os órgãos responsáveis pela informação no Brasil. Não foram capazes de ocultar a falta de água em São Paulo? Olha aí o motivo:

Perceba a boa vontade e adiantado grau de civilidade do cidadão que nem queria ter "preconceito regional". É porque ele sabe: Quando se ouve que vai acabar o Bolsa Família se o PT perder, trata-se de terrorismo da propaganda "agressiva" do PT. Porém, quando lê que o Brasil está numa crise severa e que se o PT permanecer o Brasil irá à falência, estamos apenas nos expondo às sábias palavras de imparciais jornalistas que escrevem na nossa imprensa.

 
Somente num país dominado por uma ditadura petralha é que uma jovem idealista como a que escreve aí abaixo se sente com medo de expor seus pontos de vistas edificantes em prol de uma sociedade mais justa, fraterna e equilibrada.


E nesse sentimento de comunhão, tal como se fôssemos irmãos no sentido que o próprio Jesus Cristo empregou ao termo, veja a solidariedade da cidadã que deseja aos compatriotas o mesmo destino glorioso que São Pedro reservou a eles.



As imagens foram pescadas no site Limpinho & Cheiroso.

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

A SEMANA DOS BOATOS

A Bolsa cai e o dólar sobe. Quem se espanta com isso? Às vésperas da eleição de Lula, em 2002, o dólar chegou a artificiais R$ 4,00, graças a uma expectativa do mercado ampliada no PIG. Atrizes globais foram convocadas a instilarem o medo da pessoas. Hoje, os candidatos subservientes aos interesses dos especuladores usarão o argumento/falácia como se todos os brasileiros tivessem dinheiro no bolsa.

Um dos sites que falam pelo tal mercado, que está se fodendo para o povo e para o Brasil, disse que um instituto de pesquisas eleitorais é favorável ao PT, inclusive insinuando que essa "preferência" decorre da contratação pelo partido dos trackings diários.

Fala do Vox Populi, tentando levantar mais uma calúnia contra o partido. Que se tornou risível, pois após sua publicação tivemos a confirmação dos mesmos percentuais pela CNT/MDA, IBOPE e Datafolha.

Ou a Datafolha também se tornou petista?

                                            Vox Populi       CNT/MDA        Datafolha        IBOPE

Dilma                                        40                    40,4                40                39
Marina                                      24                    25,2                25                25
Aético                                       18                    19,8                20                22

Reparem uma armadilha das pesquisas: Nenhum delas computa os votos válidos, como faz o TSE. Com o auxílio do Tijolaço informamos que Dilma tem, nos quatro levantamentos acima, 46%, 48%, 45% e 45% respectivamente, dos votos válidos.  Aos demais candidatos, o IBOPE atribui suspeitos 4% dos votos válidos e a Datafolha incríveis 5%!

A galinha dos ovos de petróleo
Outra novidade indefectível que surge perto das eleições é o escândalo da Petrobrás. Os abutres não conseguem disfarçar o interesse que têm na estatal, ÚNICA empresa no mundo que detém tecnologia para extrair petróleo do pré-sal. Sim, porque o pré-sal existe no mundo inteiro, mas quem bancou a pesquisa para de sua prospecção e aproveitamento foi o Estado Brasileiro.

Assim, quando se ouve que a Petrobrás desvalorizou tantos bilhões, deve-se levar em conta que ela NÃO ESTÁ A VENDA. E mais, que seu patrimônio tecnológico não pode sequer ser mensurado.

Além do bom e velho mar de lama que assola o pais que passa na Globo. Jabor, que prevê o apocalipse a cada iminência de uma vitória dos trabalhadores, disse que quem sustenta o projeto de um país soberano é quem não acredita que marchamos para o fim do mundo: um inocente útil, um ignorante, alguém que “não lê jornais”.

Pelo menos na terceira alternativa ele acertou. Não lê pode ser muito duro. Não se importa é mais realista. Não tem a menor importância o que essa imprensa partidarizada diz sobre a política, visto que tem um claro direcionamento. E, até quem "não lê jornais" já sacou isso.

Até mesmo o direito de resposta concedido ao PT contra a revista Veja, no TSE, por 7x0, foi submetido a recurso no STF. E advinhem na mão de qual ministro caiu?

a.) Gilmar Mota
b.) Gilmar Dantas
c.) o que tem capangas em Diamantino
d.) Todas as anteriores

...

De todas essas "notícias" que nos deixam em compasso de espera, salvamos o alerta de Lula. Calejado pela experiência, e encarnado a campanha da sua sucessora Dilma Rousseff até a alma, o ex-presidente deixou a seguinte mensagem:

"Essa semana agora é a semana das mentiras. Vocês vão ver quantas mentiras vão ser contadas na imprensa. Vocês não têm que acreditar porque todas as vezes que aparece um candidato que tenta fazer as coisas para o povo mais humilde, ele é achincalhado pela elite brasileira que não quer que a gente faça"
Por essas e outras que ele é o cara.

terça-feira, 23 de setembro de 2014

ONDA VERMELHA

Um fenômeno se repete às vésperas de cada eleição: a arremetida irrefreável dos candidatos do Partido dos Trabalhadores. Antes, essa ocorrência recebia o nome de "fenômeno PT", e era creditada à aguerrida militância do partido, que saía às ruas e promovia o verdadeiro milagre da conversão de votos.

A eleição de Luíza Erundina para prefeita de São Paulo, em 1988, foi inesquecível. Figurava em 5.º lugar nas pesquisas. Na semana anterior à eleição, ultrapassava José Serra e se encontrava em empate técnico com João Leiva, do PMDB, mas atrás de Paulo Maluf, que venceu inclusive a pesquisa de boca de urna (exceto a feita pela Rádio Jovem Pan). Tempos depois, ficamos sabendo que a Rede Globo omitiu uma pesquisa feita pelo IBOPE, no dia anterior ao pleito que já apontava a petista na liderança.

Lógico que o fenômeno não é tão facilmente explicável, mas o fato é que hoje a tal militância mingou, e sair às ruas empunhando bandeiras ou a estrela vermelha no peito se tornou mortalmente perigoso, como não os deixa esquecer Hiago Augusto Jatobá de Camargo.

Então, a questão que se propõe é a seguinte: do nada, por geração espontânea, as pessoas que assistem ao massacre midiático imposto ao PT diuturnamente passam a enxergar as virtudes do partido, contrariando tudo o que veem na televisão, ou estamos diante de um embuste, de uma mentira fabricada com margens de erro, sondagens direcionadas, um serviço sujo feito pelos institutos de pesquisa sem qualquer auditoria, papagaiado pelo PIG dentro de todos os lares brasileiros?

Em suma, é uma transformação ou uma farsa?

Nossa intuição e experiência apontam na segunda opção. Aliás, já questionamos para que servem as pesquisas eleitorais senão para influenciar grosseiramente o eleitor que não quer perder, como se fosse um jogo.

O problema é que quando chegamos perto da votação real o campo das especulações se estreita, e fica impossível manipular tão abertamente os dados, ainda que determinados institutos como o Datafolha ultrapassem o limite da decência na maquiagem dos números. Para voltar à realidade, começam a pipocar dados estaduais: em Minas, Dilma vence por 40% contra 22% de Marina e 21% de Aécio. No Ceará, Dilma 58%, Marina 18% e Aécio 9%. Na Paraíba, Santa Catarina e Paraná se verifica a mesma coisa. No Maranhão, a vitória é estrondosa: 70%, contra 22% de Marina.

Um Estado sedendo, com a boca seca, à beira de uma tragédia, apostaria na reeleição de seu governador, o verdadeiro volume morto? São Paulo, que se acostumou a fazer piadas com a seca no sertão nordestino, vive o racionamento. Não há nenhuma iniciativa pública estrutural para evitar o drama de quem ficará sem água. Jogam para as câmeras, empurram para depois da eleição, apostam numa guerra dos entes federativos, costuram uma série de gambiarras em cidades do interior, culpam o cidadão que não fecha a torneira quando escova os dentes e mistificam invocando queimadas na Amazônia. Engraçado: não falta água nos estados limítrofes a São Paulo, mas aquela maldita árvore derrubada num rincão do Pará faz hoje o paulistano feder, porque não toma mais banho.

O jogo de cena se repete no estado do Rio Grande do Sul, onde o PT enfrenta a própria Rede Globo, sem atravessadores, com os seus lacaios jornalistas fazendo o papel de candidatos da "oposição". Em Brasília, insistem em fazem concorrer um bandido julgado e condenado - e duas vezes! No Paraná, nos empulham a dupla Piá de Prédio e Catão dos Pinhais (o Alberto Roberto cover) como alternativas ao projeto democrático e popular. Na Bahia, o candidato do PT, Rui Costa, começou nos levantamentos com 2% e semana passada já tinha 24%. E os exemplos não param por aí...

O fato é que nem com todo tumulto causado, o PIG conseguiu derrubar a aprovação do governo. Como um governo com 80% de avaliações bom ou ótimo, a tendência da reeleição volta a ganhar o peso que tinha até meses atrás. Não dá mais para esconder a realidade: o projeto continuará por mais 4 anos. Até porque os adversários sofrem de uma inconsistência risível. Não têm o mostrar, fora o anteparo midiático. Aécio, candidato a quatro anos, não oferece absolutamente nada de novo. Só o arcaico udenismo aliado ao anti-petismo irracional. Por que ele não nos mostra as grandes obras do seu partido? Já Marina, a cada vez que abre a boca expõe suas contradições, e perde votos. Enquanto o PIG falava por ela, a candidata ventríloca chamava a atenção. Hoje, não consegue nem fazer rir comparando a presidente a um besouro gordo (imaginem o contrário: Dilma, ou qualquer petista, ridicularizando características físicas dos oponentes). Sai menor do que entrou na disputa.

...

É hora de entrar de corpo e alma na campanha para defender as conquistas sociais dos últimos anos.

Para garantir a tecnologia desenvolvida pela Petrobrás, ÚNICA empresa no mundo capaz de extrair petróleo a grandes profundidades marinhas. Os gringos estão alucinados na transferência desse conhecimento!
Para ampliar o acesso a educação, qualificando-o, fazendo com que cada vez mais filhos de pedreiros possam se tornar doutores.
Para manter a política de valorização real dos salários, do pleno emprego, e com todo mundo de carteira assinada.
Enfim, é a hora de fazer acontecer a onda vermelha.

A onda vermelha é Dilma Rousseff. 13.

domingo, 21 de setembro de 2014

O ANTIPETISMO CHEGOU À BARBÁRIE

As chagas da nossa elite são temas mencionados amiúde, mas sempre com muitos dedos e melindres. De todas elas, a que mais me espanta é a do antipetismo. Já tratamos do assunto aqui e aqui.

Não sou filiado ao partido, mas sou agredido por várias formas de ofensa que se tornaram lugar comum na classe média. Por exemplo, toda discussão sobre o "mau gosto" ou a falta de educação política de determinado tipo de humorismo feito no Brasil, é sobre a forma que eles encaram as pessoas que são priorizadas nos governos petistas. O mundo deles se baseia na humilhação do mais fraco. Na opressão ao mais pobre. No horror às cotas. Na vergonhosa campanha contra os médicos estrangeiros - notadamente os negros cubanos.  Como disse o ator José de Abreu, só vai para a cadeia preto, pobre, puta e petista. Romper com esse estado de coisas assusta quem sempre tomou como natural a desigualdade marcante da sociedade brasileira.

Já fui constrangido e já me senti ameaçado por defender ideias - até por "amigos" e familiares - que passam longe da subversão, como a defesa das empresas públicas e do patrimônio nacional, o aumento real do poder de compra dos trabalhadores, uma economia cuja prioridade seja o pleno emprego, enfim, uma justiça social "light", com várias concessões ao capital. 

No fundo, estou falando do programa ao qual o PT teve que se adequar para sair do gueto onde berrava clamores de reformas profundas, sendo ouvido apenas pelos iniciados, e chegar ao poder instituído ainda que aliado a setores retrógrados que muito mais atrapalham que ajudam no seu projeto.

Vários destes aliados de última hora alimentaram o antipetismo. Mas o que era apenas uma manifestação de preconceito se tornou ódio - o como todo ódio, irracional - com a ascensão de Lula ao cargo de chefe do poder Executivo. O perfil mais moderado e técnico de sua sucessora, Dilma, que poderia sugerir o amainar dos ânimos teve efeito contrário.

Com o assassinato do militante petista Hiago Augusto Jatobá de Carvalho, em Curitiba, no último dia 19, o antipetismo rompe a última barreira que o separava da selvageria e chega à barbárie. O que no debate soava como uma burrice inominável, haja vista todas as classes sociais terem se beneficiado das administrações petistas, assume sua faceta criminosa, covarde e perversa.

Por anos açulada por gente como Olavo de Carvalho e seu séquito de bajuladores, a classe média leitora de Veja é a responsável direta por essa atrocidade. Hiago era cantor da banco Família 100 Caos, cantava pela paz e a esperança e era religioso. Mas, ao invés de um ser humano, os fanáticos antipetistas veem inimigos, paranoicos em sua delirante luta contra um tal comunismo que do qual ouvem as piores desgraças, e cobrem com o véu da ignorância, existindo somente em seus piores e mais atormentados sonhos.

O crime de Hiago foi de montar cavaletes anunciando os nomes das candidatas Gleisi Hoffmann, ao governo do Paraná, e Dilma Rousseff, a presidência da república. Ou seja, nem mesmo de se contrapor ao discurso histérico do antipetismo, Hiago poderá ser acusado. Resistindo apenas com seu silêncio, foi esfaqueado exclusivamente por ser petista.

Uma campanha eleitoral que começou com a lamentável frase de Aécio, incitando novos aliados a sugarem e depois traírem o governo não poderia terminar bem. Ele que até a última eleição fez uma improvável aliança com o PT para a prefeitura de Belo Horizonte se tornou "exterminador de petralhas", visando agradar o típico eleitor assassino de Hiago. Da mesma fonte que brota o medo de uma sociedade mais igualitária se origina o ódio, disse Maurício Dias. Esperamos que esse caso inspire uma reflexão, ainda que tardia. E que possamos manifestar nossas opiniões, mesmo as favoráveis ao PT.

sábado, 13 de setembro de 2014

O FANTÁSTICO MUNDO DE BOBBY DIREITISTA

Nunca antes na história desse país se fez tanta pesquisa eleitoral. Passaram a ser diárias, repetidas, matutinas e noturnas, segmentadas conforme o interesse de quem as faz. Pesquisas frenéticas, as quais nem os mais atentos leitores conseguem acompanhar, denunciam o desespero. 

Afinal de contas, qual é a importância das pesquisas. Não têm valor científico, nem como informação terciária ao leitor. Somente objetivam INFLUENCIAR  o eleitor a votar conforme quem as publica. E quem banca essa profusão de pesquisas? O Itaú?

Fosse qualquer tipo de trabalho revestido com seriedade acadêmica, seria vergonhoso um instituto desmentir o outro ao mesmo tempo e o tempo todo! Sem contar todos os erros das pesquisas na história, o que confirma e reforça a tese que se trata, quando divulgados à maneira do PIG, de um rasteiro instrumento de manipulação.

Nem mesmo o choque de realidade provocado pela presidenta Dilma Rousseff em sabatina promovida pelo Globo foi capaz de abrir os olhos de certo grupo de celerados. Houve inclusive um pedido do blogueiro Noblat para que a candidata "falasse menos", ao que ela teve que relembrá-lo sobre quem era a sabatinada.

É normal esse tipo de entrevista tirar o entrevistado da zona de conforto. Nesse caso, entretanto, o fenômeno ocorreu com os entrevistadores, tão pouco habituados ao contraditório que acabam tomando como inquestionáveis suas próprias verdades, repetidas como mantras pelos meios de comunicação.

O tópico sobre energia ilustrou muito bem essa situação: TODAS as afirmações dos jornalistas foram contestadas pela atual mandatária sem que qualquer um deles conseguisse formular uma réplica. Por outro lado, as afirmações da presidenta não foram contestadas.



A questão é que a imprensa prefere divulgar uma verdadeira inversão de conceitos convenientes às suas verdades. Ainda que não sejam de própria lavra, optam por afirmar que Chico Mendes era de elite, que Neca Setúbal é "educadora", que são o bastião da liberdade de imprensa e não das empresas que as mantém, que o problema de São Paulo é criacao de ciclovias e não a falta de água; que o BACEN independente é bom povo e ruim para os bancos, e que o choro de Marina é o ápice de uma campanha difamatória cujo algoz é o PT.

Antes que essa nova "verdade" se alastrasse como praga nas mentes influenciáveis pelo padrão PIG de informação, o próprio Lula foi direto ao ponto: “Nunca falei mal da dona Marina e vou morrer sem falar mal da dona Marina. Ela é que tem que explicar por que nasceu, cresceu e ganhou todos os cargos no PT e falou mal do PT essa semana. Eu não tenho que me explicar, eu tenho é a obrigação de falar bem da minha candidata que é Dilma Rousseff".

Nesse contexto, os autistas acham espaço para num luxuoso auditório na Vila Olímpia, lançar o 1° Fórum Liberdade e Democracia de São Paulo, que contou com as presenças de americano Ron Paul, o argentino Ricardo Murphy, o escritor dissente de Cuba Carlos Alberto Montaer, além de dezenas de empresários e jovens empreendedores, com o denominador comum de espumar de raiva ao falar do PT.

Os parceiros do evento estenderam seus cartazes pelos corredores do auditório: IFL (Instituto de Formação de Líderes), Instituto Liberal, Instituto Millenium, Instituto Ludwig Von Mises Brasil, Capitalismo Consciente, organizações que se fundem em ideias e se interconectam através de associados que se repetem em todas elas, e que poderiam inclusive ser melhores investigadas, visto as polpudas contribuições financeiras que recebem de grupos rentistas e empresariais e rentistas, além aportes estrangeiros.

Depois de toda cantilena liberal, que se replica como as falsas verdades do jornalismo do PIG, o final apoteótico reservou a entrega do "Prêmio Liberdade", segundo a organização do evento, distribuído "pelo ótimo serviço de defesa dos direitos individuais e de defesa da liberdade de imprensa".

Quem era o agraciado?

Danilo Gentili.

O perfeito Bobby, do mundo fantástico em que vivem esses direitista.

sábado, 6 de setembro de 2014

O POVO ENTENDE O QUE MARINA FALA?

Passada a comoção da morte de Eduardo Campos, o que acontece com Marina? Por que, quanto mais ela se torna conhecida, menos intenções de voto ela apresenta?

 
Alguns entendem que ela atingiu seu objetivo, qual seja, de romper a polarização entre PT e PSDB. O que, na minha opinião, foi salutar, pois deixou claro qual era a polarização existente no cenário político: a que se verifica entre simpatizantes do projeto petista e entre antipetistas empedernidos, servindo qualquer um que se prestasse a esse papel, de acordo com as palavras do próprio FHC. A dos jatinhos ilícitos pousou sobre o do aeroporto ilícito sem qualquer cerimônia.


Outros imaginam ser Marina o produto emergente das passeatas de junho de 2013. Discordo, haja vista não ter conseguido sequer as 500 mil assinaturas que justificassem a criação de seu partido. Na verdade, os 20% de intenção de voto com que Marina “surgiu” no dia seguinte à queda do avião de Campos representavam seu eleitorado garantido entre evangélicos e demais nichos. O que se agregou a essa parcela são advindos da fatia conservadora da sociedade que nunca marcheteou, aquela parcela despolitizada e altamente sugestionável pela mídia. Que por seu caráter volúvel, começa a refluir.


O fato é que, enquanto Marina conseguiu sustentar uma imagem light, mesclando discurso ambientalista e um liberalismo agradável aos setores rentistas, sem abrir a boca, pintou como a possibilidade real de apear o PT do governo. Contudo, a máscara caiu na medida em que deixou de ser um ícone midiático e expôs suas idas e vindas, a falta de clareza de posturas, a ambiguidade entre a defesa do meio ambiente e a adesão ao agronegócio, a rendição aos pastores arrecadadores e a renegação de seu passado causou mais temor do que expectativas com a possibilidade de sua vitória. Ela não se comprometeu com nada, exceto com banqueiros, exigindo do mandato uma carta branca que até faz sentido no fundamentalismo religioso, mas não diz respeito a uma democracia.


Minha opinião é que enquanto o PIG traduziu seu discurso, foi possível vender Marina como alternativa viável. Porém, quando a candidata teve que se apresentar sem filtros, a aparência imaculada ruiu: o povo não entende nada do que ela fala. Não que seja muito complexo, porque para os iniciados também está claro que se trata de um palavratório oco e artificial.

Ou você entende que é preciso preservar a cópula dos bagres, em detrimento da construção das usinas hidrelétricas?

domingo, 31 de agosto de 2014

JOGO DE CENA

É preciso reconhecer a falta de atitude da campanha do PT em face da candidatura da moda. Acostumados à polarização contra o PSDB (que, derrotado, vive seu ocaso), o PT permanece inerte diante dos novos movimentos ocorridos no tabuleiro político.

Pode ser ausência de iniciativa ou excesso de confiança. Ou uma conjunção dos dois fatores, em escala variada. Há relatos das pesquisas internas do PT que desmentem os levantamentos do ibope ou do datafolha. Contudo, mesmo na cúpula do partido já existe a certeza do 2.° turno.

Na verdade, não é isso que interessa para o povo. Também é picuinha a discussão sobre a interferência religiosa no programa apresentado pelo PSB. Posições anticientíficas, união homoafetiva, e demais exigências dos pastores da comitiva marineira têm sua importância para um nicho de pessoas específicas, mas numa escala nacional, três temas são essenciais nesta eleição:

PRÉ-SAL

O Globo anunciou em primeira página que a candidata do PSB, Marina Silva, planeja reduzir a importância do pré-sal na produção de combustíveis. Num encontro com produtores de etanol, na Feira Internacional de Teconologia Sucroenergética (Fenasucro), em Sertãozinho, Marina, para foi ovacionada quando disse: “temos que sair da idade do petróleo”. E também quando prometeu disse vai revigorar o álcool, dando incentivo para os produtores do setor.
O governo estima que em dez anos o Brasil extrairá US$ 112,5 bilhões em recursos para a área de saúde e educação com o pré-sal. E que em pouco tempo o país se tornará um exportador de petróleo.
Isso significará não apenas a nossa auto-suficiência energética, mas o Brasil também se tornará um país mais importante do ponto de vista geopolítico.
É isso que está em jogo e que incomoda profundamente os falcões americanos. Eles não querem o desenvolvimento do Brasil e muito menos o nosso fortalecimento internacional. Um Brasil forte não interessa aos EUA. Desde sempre.
E por isso, sempre houve pressão para que a extração nas camadas de pré-sal fosse entregue a grandes empresas privadas, se possível americanas. E não fosse realizada pela Petrobras. Os gringos querem o pré-sal para eles.

BANCOS PRIVADOS

Com Marina, os bancos privados ganharão mercado, hoje dominados pelos bancos públicos. O programa de governo de Marina Silva (PSB) à Presidência defenderá mudança na política de crédito do governo federal, criando mecanismos para que os bancos privados possam aumentar sua participação em relação aos bancos públicos, como Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal.
Os principais pontos do programa foram antecipados por Maria Alice Setúbal, a Neca, herdeira do Itaú, e Mauricio Rands, ambos responsáveis pela coordenação do plano de governo de Marina. "Queremos ampliar o mercado de crédito criando mecanismos para que os bancos privados possam participar mais percentualmente", afirmou Rands, no comitê de campanha de Marina, em São Paulo.

BANCO CENTRAL
 
Atualmente, o Banco Central não tem autonomia formal, já que seu gestor é escolhido pelo presidente da República, autoridade máxima do país, eleito democraticamente pelo povo. Por extensão, podemos dizer, então, que o gerente do Banco Central representa as necessidades do povo e atua em consonância com o governo eleito por ele e que, por sua vez, luta por políticas (dentre elas a econômica) que beneficiem a população que o elegeu. O BC tem, hoje, autonomia operacional para atingir as metas determinadas pelo governo. Dar ao Banco Central autonomia formal seria dar independência aos diretores do banco, que passariam a ter mandatos soberanos. Essa independência se daria em relação às autoridades que expressam a soberania popular.
A autonomia do Banco Central é uma medida fundamentalmente neoliberal. Os adeptos dessa teoria acreditam que o salário e o emprego se mantêm estáveis pela autorregulação do mercado, portanto é desnecessária (e eles acreditam ser prejudicial) a interferência do Estado nas questões econômicas. A crise econômica por que passou – e ainda passa – grande parte das nações, que sofrem com os efeitos devastadores de uma política neoliberal que causou o desemprego de 60 milhões de pessoas por todo o mundo é a prova de que o neoliberalismo econômico é nocivo, mesmo em um sistema capitalista.


Em um artigo publicado recentemente no Financial Times, sugestivamente intitulado “A era dos bancos centrais independentes está chegando ao fim”, o economista chefe do HSBC, Stephen King, aponta nesta direção ao dizer que “não se pode seguir falando de independência dos bancos porque eles criam ganhadores e perdedores”.
King não é uma exceção. O ex-assessor da Reserva Federal de Nova York, Zoltan Pozsar, e o economista que cunhou o termo “banca nas sombras”, Paul Mc Culley, sugeriram em um artigo sobre a emissão de dinheiro eletrônico ou aceleração quantitativa, que os bancos centrais devem trabalhar seguindo as ordens dos ministérios de finanças para coordenar medidas fiscais e monetárias que ajudem a lidar com a crise atual.
O Prêmio Nobel de Economia, Joseph Stiglitz, arrematou este debate dizendo que, na verdade, tratava-se de um equívoco, uma ilusão ou um engano deliberado. “Não há realmente instituições independentes. Todas têm que prestar contas. A questão é para quem”, disse Stiglitz em uma conferência na Índia neste mês de janeiro.

sábado, 23 de agosto de 2014

A CANDIDATA DO ITAÚ

À época em que Lula exercia "apenas" o cargo de presidente nacional do PT, não havia um dia sem a pergunta: quem o banca? Como consequência, vinha a mentira canalha de que ele se mutilou, cortando o próprio dedo para receber pensão.

Pois bem. Alguns anos depois Marina Silva emerge como nova musa de uma elite decrépita. Com todos os dedos e nenhum emprego, proponho a mesma indagação: do que vive Marina?

É sabido que seu marido, Fábio Vaz de Lima, ocupou até semana passada o cargo de secretário adjunto do Estado do Acre, governado por Tião Viana, do PT. Apesar das pressões para que saísse do governo petista, Fábio relutou até o último instante em abrir mão de emolumentos de R$ 18.200,00.

Um bom salário para sustentar a família, sem dúvida, ainda que num cargo de confiança dum mandato do ex-partido de sua esposa, agora espinafrado a cada vez que um microfone aparece. Mas nem de longe suficiente para patrocinar as idas e vindas da mulher. E irrisório para os voos de uma candidatura presidenciável.

A bem da verdade, cumpre informar que Marina Silva tem dois aportes econômicos de peso.

O primeiro é do grupo Natura de cosméticos cujo fundador e maior acionista, Guilherme Peirão Leal, foi candidato a vice-presidência em 2010. Há grande identificação entre o marketing da empresa e a ideologia eco-liberal da candidata. Na campanha passada, o grupo foi o grande doador da campanha, com valores oficiais de R$ 12 milhões.

O segundo maior doador em 2010, a cada dia assume maior protagonismo na campanha de 2014: Banco Itaú. Antes captadora de recursos para a "Rede Sustentabilidade", na atual temporada, a herdeira Maria Alice "Neca" Setúbal é a coordenadora de programa de governo de Marina Silva. Educadora por profissão e bilionária por herança, um misto de Armínio Fraga e Glória Kalil, Neca não hesita em se apresentar como porta-voz da candidatura.

A fada madrinha da fadinha da floresta vive num conto de fadas

No ponto alto da entrevista concedida à Folha, Neca acena ao mercado e promete autonomia do Banco Central, ponto fundamental da campanha de 2014. A autonomia do BC é a senha para o capital tomar de vez o controle político do Brasil. Em vez de deixar a política econômica em mãos de servidores públicos que respondem a uma autoridade eleita, o que se quer é dar independência aos diretores do banco, que passam a ter mandato e assim por diante. Independência de quem? De autoridades que de uma forma ou outra expressam a soberania popular.

Caso fosse eleita, Marina Silva representaria um enorme retrocesso no desenvolvimento que o país experimenta durante os governos Lula e Dilma. Algo que não incomodava tanto na candidatura de Eduardo Campos, aparentemente um adepto de desenvolvimentismo lulista. A nós, contudo, duas preocupações se sobrepõem às teorias de "não-crescimento", que logo seria rejeitada pelo povo.

Primeiro, o enorme risco de não concluir o mandato, mergulhando o país na incerteza, nos mesmos moldes que Jânio Quadros e Fernando Collor. Na tripartição dos poderes, o poder legislativo é o mais importante. O executivo, como o nome diz, executa as determinações advindas da "vontade geral", representada na Câmara (ou Assembleia, Congresso, etc) e o Judiciário apenas media conflitos entre particulares, entre os poderes e entre particulares e os poderes constituídos. Não há nenhuma possibilidade de sustentação de um governo sem respaldo no Congresso. No Brasil temos dois exemplos. Pelo mundo afora, são inúmeros. O que viria depois é muito difícil prever, mas tenho minhas suspeitas sobre a quem interessaria o clima de instabilidade.

Segundo, a política econômica, com o Itaú assumindo o Banco Central e ditando as regras, permitindo ao sistema financeiro recuperar o controle absoluto da política econômica, definindo a taxa de juros conforme análises e projeções de instituições privadas que atuam no mercado. As consequências aos setores produtivos, à infra-estrutura em formação seriam desastrosas. Os EUA voltariam a nos ver como eterno dependente de seus recursos e como paraíso do capital especulativo.

Parafraseando Paulo Moreira Leite (que por sua vez parafraseou Paulo Francis): chega de intermediários! Itaú para presidente!

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

QUEM TEM MEDO DE MARINA SILVA?

No rescaldo do passamento do candidato Eduardo Campos, que figurava nas pesquisas eleitorais com algo em torno de 8 ou 9%, o PIG se assanhou em o substituir por Marina Silva. Antes tão critica quando ministra do governo Lula, se tornou a redentora da elite contra o projeto democrático e popular. O sonho (ou delírio) de uma direita que se diagnosticou como sem líderes, mas que na verdade, se ressente da falta de um projeto para o Brasil.

Os comedores de carniça desconsideram que Marina Silva não tem partido. No frigir dos ovos sua "Rede" buscou guarida no PSB, mas com data certa para debandar: assim que consigam atender aos requisitos formais da legislação eleitoral.

Candidatos sem partido, ou pior, alocados em legendas de aluguel, nos trazem à memória Fernando Collor e, dos mais experientes, Jânio Quadros. Figuras metidas à salvadores da pátria, sem lastro ou qualquer base de sustentação, cujo destino é previsível. Repetir o mesmo erro pela terceira vez parece uma burrice inominável, mas no PIG sempre há espaço para quem quer tumultar o ambiente político.

O arautos da candidatura Marina, necrofágos num macabro episódio da sociedade do espetáculo, soam as primeiras trombetas contra a política de alianças do PT que, em nome da governabilidade, se aliou ao PTB de Roberto Jeferson e ao PMDB do José Sarney. Pois bem: com quem Marina governaria num hipotético mandato? Com os anjos? Com o PSDB? Com o DEM? Cartas à redação, por favor.

Deixando de lado a excitação mórbida dos analista e indo para as ruas, quem vota em Marina? É quem não vota no PT. Logo, Marina poderá herdar o eleitor de Eduardo Campos que o via como 3.ª via, além de adentrar pesado no eleitorado retrógrado que está desconfiado de Aécio, um dândi de modos injustificáveis, além do "case" Pastor Everaldo.

O eleitorado da Dilma é diferente. Nele,  Marina não tem penetração. É composto basicamente por petistas históricos e eleitores que o PT angariou depois de três sucessivas adminstrações vitoriosas. É um tipo de eleitor "conservador", que se exprime na máxima: "em time que está ganhando não se mexe". Ademais, há aqueles com a consciência de que a vida material dos brasileiros melhorou muito nos últimos doze anos. 

A essa conclusão se pode chegar por corporativismo de classe ou testemunho próprio. Sob hipótese alguma pelas manchetes dos jornais ou da televisão. Estes, que formam o PIG, não merecem mais o apelido dos porquinhos. Estão mais para hienas ou vultures (abutres).

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

A DIMENSÃO HISTÓRICA DE EDUARDO CAMPOS

Morreu hoje, aos 49 anos, Eduardo Campos. Ainda estou chocado. E, na falta de melhores adjetivos, estarrecido com a repercussão da tragédia. Tempos de facebook, whatsupp, twitter, que faz o ultrapassado jornalismo marrom parecer pueril, coisa de uma era romântica, que não volta mais.

Não assisto televisão, exceto alguns jogos de futebol. Logo, não estou dando à mínima para as comentadas entrevistas no Jornal Nacional. Pouco me importa como os candidatos estão se saindo perante o Bonner e a Patrícia Poeta, dois péssimos auxiliares para qualquer eleitor.

Mas o fato é que não me incluirei entre os que fazem homenagens fúnebres hipócritas, discursos laudatórios como se a passagem para o mundo espiritual fosse a redenção de todos os deslizes terrenos. Penso que a forma mais sincera de respeito é manter as ideias e moderar as palavras, e o momento requer reflexão e meditação

Muito menos me ajuntarei ao coro de hienas que fazem troça de um drama familiar, como se fosse mais um capítulo do stand-up seguido com fervor. Ou ainda, dos calhordas que estão confabulando em como tirar vantagem política da morte do pernambucano.

Sempre achei péssimo que, no Brasil, a 3.ª via seja uma candidatura de centro. E nas últimas três eleições, esse campo político representa o eleitor que tem vergonha de votar nos tucanos, por tudo que fizeram enquanto mandatários, mas não tem coragem de votar no PT, seja pelo preconceito incutido desde longa data, seja por comprarem fácil o discurso midiático antipetista.

Como figura histórica, Eduardo Campos foi o maior expoente da 3.ª via. Neto de Arraes, herdou algumas bandeiras sociais desde o berço, ainda que flertasse com o mercado. Ouvi dizerem: o socialista que gosta de empresários. Já em termos de estatura política, o coloco no mesmo patamar de Marina Silva e Cristóvão Buarque: costelas estirpadas (por vontade própria) do projeto de país oferecido pelo PT, mal tratados na imprensa enquanto governo, ganharam alguns holofotes depois de bandearam para a oposição, para em seguida hibernarem numa espécie de exílio.

Que descanse em paz.

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

O ANTIPETISMO

Há dois dias, o Conversa Afiada, matou a charada das eleições de 2014: a Dilma não tem concorrentes. Digo no sentido clássico, de haver candidatos oponentes, projetos diferentes, e até um possível (quiçá frutífero) debate de ideias. A eleição é entre o PT, que Dilma e seu principal cabo eleitoral, Lula, representam, e o antiPT, vista ele a máscara de Guy Fawkes ou Aécio Neves.

Um grande amigo sonha em ver no Brasil algo que ocorreu em alguns países europeus. Forças políticas antagônicas deixaram de lado suas desavenças e criaram, em conjunto, políticas de alcance amplo, representativas e que moldaram o tipo de sociedade da qual fazem parte. Cita, com a propriedade de estudioso e viajado que é, a Irlanda e a Suécia para sua utopia.

Contudo, não posso deixar de lembrar que ele é, no mínimo, para conservar a amizade, um ingênuo. O tipo de oposição que é feita no Brasil desde 2002 é covarde, destrutiva e irracional. É aquela que chamou o Bolsa Família de estímulo à vagabundagem, mas que depois quis assumir a paternidade do programa. Ou a que critica o governo quando o dólar cai e depois critica quando o dólar sobre. Ou até mesmo quando permanece estável. Como é pouco significativa entre os populares, é conduzida pelos meios de comunicação, o PIG, que já assumiu esse papel publicamente.

Às vezes, sinto o jornalista Luis Nassif acalentar o mesmo devaneio. Isso ficou patente na sua recusa em fazer parte do Barão de Itararé, para manter sua neutralidade ou imparcialidade. Ele, que cunhou expressões célebres como "cabeças de planilha" e também "assassinato de reputações", entende bem os maneirismos e traquejos do jogo político. Foi muito perseguido pelos "órgãos oficiais da oposição", mas não abre mão do ideal de congraçamento das diversas correntes sociais num projeto de país.

Não rejeito a ideia, pelo contrário. Mas sei que para isso teremos que superar uma chaga alastrada como um cancro pela imprensa: o antipetismo. Não há como dialogar com uma linha de conduta que só tem a destruição em seu horizonte. Para o antipetismo, a terra arrasada, o país bombardeado por forças da OTAN, a guerra civil, qualquer coisa é melhor que sentar para conversar, civilizadamente, com o único partido que tem legitimidade para representar uma parcela do povo brasileiro. Reconhecer isso já se torna insuportável, pois evidencia a irracionalidade da postura.

O antipetismo é a manifestação nacional e tardia do ódio de classe na política. É algo presente desde a Revolução Francesa, quando o governo do povo foi chamado de “terror” pelo PIG da época. O antipetismo é anterior ao PT, e mistura elitismo, falta de conhecimento e doses alopáticas de ódio. No Brasil, é visível lá na formação dos sindicatos, 100 anos atrás. Antes de Lula e o PT, quem mais arcou com esse preconceito foi Luiz Carlos Prestes e o Partido Comunista.

O antipetismo só existe no contexto da polarização esquerda/direita, capitalismo/socialismo, da Guerra Fria, onde o Brasil se postou como satélite cultural dos EUA, o perigo vermelho e a ameaça do Comunismo aos valores que se tornaram tão caros ao Ocidente. André Singer tratou disso em “As raízes sociais e ideológicas do Lulismo”. De como o PT surgiu desse caldo de cultura, como partido alternativo, de luta contra a ditadura, abarcando sindicalistas, religiosos, intelectuais, rebeldes ou gente “descolada”, e passou a ser de fato um partido de massas, o único da nossa história.

A linguagem foi atualizada. Não se fala mais operário ou proletário. Hoje, o politicamente correto diz "colaboradores". Procuram substituir a luta de classes por um quase sempre sem sentido "esforço de integração". Mas a conquista de direitos sociais continua provocando asco e resistência da elite. Para que homens e mulheres, independente da cor ou posição econômica, pudessem votar e serem votados, muito sangue correu e inúmeras barreiras foram derrubadas. Para o antipetismo, a “política” até hoje deveria ser passatempo de dândis enfastiados. Bancar uma eleição não é para "trabalhador", que labuta o sustento do dia a dia, sem reclamar...

O PT foi forçado a abrandar sua retórica, para convencer os iludidos com o discurso conservador, pois trabalhadores sabotavam suas próprias necessidades até darem um voto de confiança ao PT. Já o antipetismo, por seu turno, sobe o tom e vive uma escalada de agressividade sem precedentes. É que na prática os governos petistas conciliam interesses: tiraram milhões da pobreza, expandiram a classe média e permitiram os maiores ganhos aos abastados. A esses, a única regalia extraída foi o direito de "exclusividade" em ambiente antes restritos a uma meia-dúzia. O exemplo dos aeroportos é cabal. Isso é insuficiente para um programa de oposição. Todo mundo se deu bem no governo PT. Então, o que faz com que a elite seja contra a reeleição da Dilma?

O elemento irracional do antipetismo é o pânico, que desmancha a sensatez por motivos inexplicáveis. Os neo macartistas deitam e rolam com esse temor. Ao invés de mobilizarem pessoas por "causas", polemizam na internet por "coisas". Vivem num mundo à parte do real, denunciando guerrilheiros cubanos travestidos de médicos que se infiltram no nosso país, a eminente bolchevização da sociedade e a encarnação do mal, antes um leviatã que brandia a foice e o martelo, hoje, um polvo com nove tentáculos que pigarreia discursos com sua voz roufenha, prometendo a bolivarização da economia.