terça-feira, 17 de junho de 2014

OBRIGADO, GUARDIOLA!

A XX Copa do Mundo tem apresentado uma média de gols bem acima das edições anteriores. 47 gols nos primeiros 15 jogos resulta em respeitáveis 3,13 tentos por partida. Desde a remota Suécia, em 1958, não se passava de 3. A título de comparação, na primeira rodada da Copa anterior, realizada na África do Sul, tivemos 16 jogos e 25 gols, o que perfaz 1,56 gols/jogo, menos da metade do atual torneio. Outro dado interessantíssimo é o exíguo número de empates: apenas 1 nas 15 primeiras partidas, enquanto na África tivemos 6 nos 16 jogos iniciais. E o número de viradas no placar? Já tivemos a 6.ª virada antes de acabar a rodada. Nos 64 jogos da última copa, foram somente 4 (inclusive a da Holanda sobre o Brasil).

E o melhor é que esses números não foram inflados artificialmente, como, por exemplo, com uma bola polêmica como a finada Jabulani. A atual, a Brazuca, só recebeu elogios de que a trata com mais autoridade, de cientistas a artilheiros. A grande novidade é que ouve uma mudança de mentalidade no esporte nos últimos quatro anos, e o maior responsável por ela não está de corpo presente no evento, mas o marcou de forma indelével. Falamos de Pep Guardiola.

É verdade que quando rolou a Copa passada, Guardiola já havia assumido o departamento técnico do Barcelona e conseguido resultados encantadores. Fato consumado é que a Espanha venceu o campeonato com um arremedo do Barça - desfalcado de Messi, enxertado por defensores do Real Madrid: Casillas, Sérgio Ramos, Xabi Alonso. Só não havia até então o consenso público de que essa forma de atuar além de plástica, era eficiente.

Adepto do futebol-arte, recorda com carinho quando foi treinado por José Macia, o Pepe, o canhão da Vila, ex-ponta-esquerda e maior artilheiro da história do Santos (Pelé não vale). Fã do toque de bola argentino, interlocutor de Marcelo "El loco" Bielsa, seu Barcelona deu várias lições ao mundo futebolísitco: a melhor maneira de se defender é ficar com a bola atacando; não é necessário povoar o campo com atletas parrudos, montanhas de músculos sem refinamento técnico; todos na equipe, até o goleiro, devem saber tocar a bola com categoria e inteligência; e o principal: o futebol pode ser bonito, vistoso e ainda assim ganhar títulos, quebrando uma maldição de pragmatismo que perdurava desde 1982, com a derrota do Brasil naquela Copa.

Por tudo isso, reconheçamos que o brilhantismo desta Copa dentro das quatro linhas também tem seu responsável. Sejamos gratos: Obrigado, Guardiola!

...

Bélgica vs. Argélia
Les Diables Rouges sofreram muito mais do que poderiam supor ante os adoradores de Allah. Tinha a impressão que o grande adversário da Bélgica nestas paragens seria o clima, uma lua de uma da tarde no Mineirão não é propício às cútis róseas que seus jogadores mais nativos exibem.  Só que não: o grande obstáculo foi a absurda falta de imaginação e criatividade de seu scratch.
O Argélia veio como uma proposta de jogo típica de quem sabe que é o time pequeno da Copa, o que destoa da mentalidade citada acima. Como não tem individualidades aquilatadas, baseia seu esquema na solidariedade e no coletivismo.
O Bélgica, cabeça-de-chave, que ameaçou até ares de favorita, decepcionou. Mas talvez porque as expectativas estivessem fora do padrão de realidade belga. Atletas jogando em grandes clubes europeus, mas sem protagonizarem os grandes feitos, formam um time razoável, e nada além disso.

9 comentários:

Marco disse...

Brasil vs. México
Foi só eu abrir minha boca seca-pimenteira que a média de gols despenca e outro zero a zero aparece.
Se que bem este bem jogado, com oportunidades de gols de lado a lado, conferindo destaques da partida ao nosso arqueiro J. César e principalmente ao mexicano Ochoa, que fechou o gol. O México jogará sua classificação com a Croácia na próxima rodada por um empate, o que tranquiliza ainda mais uma equipe segura, que enfrentou de igual para igual os anfitriões.
O Brasil se ressentirá até o final de jogadores no banco de reserva com capacidade de alterar os rumos da partida. Toda vez que entra um reserva tem-se a impressão da troca de seis por meia dúzia. Fossem os veteranos R. Gaúcho, Robinho, Kaká, fossem jovens promessas ou craques que não desabrocharam, como Ganso ou Felipe Coutinho teríamos ao menos condição de alterar o rumo do jogo.

Marco disse...

Rússia vs. Coreia
Fosse nos tempos da União Soviética, o goleirão Akinfeev seria gentilmente convidado a uma temporada na Sibéria. Sem passagem de volta. Até agora, papou o frango da Copa.
Faltou tesão para os coreanos ganharem o jogo, pois se impuseram técnica e, acreditem, fisicamente aos russos. Chegavam com facilidade na proximidade da área, mas sempre um toquinho a mais, inventando a firula asiática.
Mesmo antes da penosa, o time russo estava cabisbaixo, como se faltasse auto-estima. Porém, depois do empate (suspeito, eu diria) a atmosfera virou de maneira favorável, mas não forma capazes de acertar um chute na meta.
Pela incompetência agregada, um resultado justo.

Rogerio Peixoto disse...

Nao achei o jogo do Brasil ruim, o que de fato nao foi, mas o time ficou perdido demais durante um bom tempo na segunda etapa e por vezes temi uma derrota. O numero de passes errados foi relativamente alto e a nao ser pela magia e imprevisibilidade do futebol, nao acredito que tenhamos cacife para derrubar a Alemanha ou a Holanda, que podemos pegar inclusive nas oitavas. Espero queimar a lingua!

Marco disse...

Ô Comando!
Folgo em vê-lo por aqui!
O que está achando da "Supercobertura da Copa Antipig"?
Qual a repercussão da Copa nestes mares nunca dantes navegados?

O jogo do Brasil foi bom: a equipe tentou, mostrou raça e empenho, mas enfrentou um adversário que não se acovardou, e mostrou algumas virtudes, ainda que não tenham conseguido chutar nenhum dentro da nossa área (Gol de fora da área vale a mesma coisa).
Como escrevi acima, penso que os reservas são quase clones dos titulares. O ideal é que fossem não melhores (até por seria absurdos deixá-los no banco, se existessem), mas diferentes... por isso, quando a coisa engripou, ficamos sem alternativas.
Dos limões é bom fazer uma limonada: se tivesse sido 4x0 tudo mundo estaria eufórico. Foi bom ver que não tem moleza, que a equipe e a comissão técnica terão que fazer o melhor sempre se quiserem conquistas maiores.
E também achei excelente o fato de que ninguém mais tem coragem de dizer que os resultados já estavam armados...
Saudações abaixo do Equador!

Marco disse...

Holanda vs. Austrália
Que jogão! Há que se perdoar eventuais falhas pela intensidade da disputa. Achei que o guarda-metas Ryan falhou no último gol, o da 2,ª virada, mas se redimiu (e muito) depois.
A Austrália potencializou o que havia dito na rodada anterior: compensam suas limitações técnica com uma dedicação espartana. Parecem ter nascido para jogar a Copa Libertadores. É pena, azar mesmo, que tenham caído numa chave tão difícil.
E a Holanda, estava de ressaca? O fato é que um bicho-papão foi desmascarado: a defesa parece um queijo esburacado (um Emmental suíço, não um Gouda holandês), apertou eles confessam. E, se o adversário aperta o garrote conseguindo com que a bola não chegue em Robben e Van Persie (que por sinal não joga a próxima) eles ficam travados em campo.

Marco disse...

Chile vs. Espanha
Escrevo ao calor dos acontecimentos. Presenciei uma partida memorável, uma atuação épica do Chile. A seleção a quem o técnico espanhol acusou de usar uma "tática suicida", tamanha correria imprimem durante os 90 minutos.
Depois do massacre holandês, não julgo a derrota espanhola como zebra, mas como constatação de algo já insinuado: essa geração morreu, fisica e espiritualmente. Olhem a fisionomia de El Niño, Fernando Torres: o sujeito é a cara da derrota; transpira apatia.
Do lado chileno, minhas congratulações. Na Copa passada, fizeram um jogo parelho com a campeã Espanha, decidido num detalhe, mas pararam no Brasil. Agora, jogam a pelo 1.º lugar do grupo e não cruzar de novo com a seleção canarinho. É uma equipe que dá gosto ver jogar.

Marco disse...

Croácia vs. Camarões
O primeiro jogo sem a atmosfera desta Copa no Brasil. Poderia ter sido disputado na África do Sul, Alemanha, Coreia do Sul, que ninguém perceberia a diferença. Faltou algo inexplicável.
Grande parte da culpa por isso é do time da Croácia, candidato fortíssimo ao mais antipático da Copa. Torço para que sejam eliminados pelo México, pois nesse jogo eles deslancharam após a bobagens do camaronês Song, que foi expulso ainda no 1.º tempo.
O que falar de Camarões... falta a mínima noção de coletividade, de organização tática. cada um que pega a bola sai correndo rumo ao gol sem levantar a cabeça. O reflexo foi a briga entre dois atletas do time, no final do jogo. Melancólico...

Rogerio Peixoto disse...

A supercobertura da copa Antipig tah demais... copia esses comentarios e faz um post com eles URGENTE!

Quem falava que tava comprado o resultado a essa altura jah tah desencanado com essa babaquice (membros da familia entraram nessa) o que acho excelente!

Nao tenho podido ver os jogos a nao ser nas Segundas e os dois primeiros nas Tercas. Nao me impressionei ainda com o nosso time, acho que soh com garra mesmo pra ir longe, mas essa afinal eh a essencia da nossa natureza, vai do jeito que der mas vai e na hora H baixa o talento que faz a diferenca. Ainda assim estou com muito medo da Holanda!

EH O GARAAAAAAAAAAI!!!!

Rogerio Peixoto disse...

Repercussao em Los Angeles bastante consideravel por causa de tantos imigrantes (e quase o mundo inteiro menos os EUA sao doidos com futebol).

Hoje eu passei o dia cruzando o pais, estou na Pennsylvania para visitar a maior fabrica de violao do pais. Aterrisei na Philadelphia mas vim pra uma cidadezinha do interior, e quando perguntei no bar do hotel ninguem sabia mais do que o resultado de um jogo ou outro, mas a porra do baseball na TV eh sem parar OOO SAUDADE DA MISERA!!!